terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Nani Dança na escola agora no Guia Pratico para professores de Ed Infantil

Capa da Revista

História e movimento

Vire uma fada e faça seus alunos se movimentarem

Objetivos:
★ Fazer com que a criança reconheça suas possibilidades cinéticas do corpo, por meio de movimentos que o afetem em sua totalidade.
★
Conhecer os segmentos do próprio corpo.

 

Na Educação Infantil muitas competências têm de ser desenvolvidas, entre elas a consciência do corpo como meio de comunicação consigo mesmo e com o espaço – e em estado estático e em movimento. Essa é a definição de “esquema corporal”, que supõe uma boa evolução da motricidade, das percepções espaciais e temporais, e da afetividade. Por isso, trabalhar o esquema corporal tem de ser um trabalho constante na vida escolar por meio de atividades que trabalham todo o corpo ou parte dele, o controle dos movimentos, o seu equilíbrio e a sua expressão. Pensando nisso, a professora de Dança Educacional em escolas de Educação Infantil na cidade de São Carlos e bailarina, Nani Chefaly, tentou unir a contação de histórias ao trabalho de esquema corporal, explorando não só a parte física das crianças, mas a imaginação. Além do mais, aprender brincando é muito mais gostoso, não é?
Dessa forma, ela criou a própria histórinha e desenvolveu uma atividade "em cima" desse faz de conta.

Quer ver mais acessem o site: http://revistaguiainfantil.uol.com.br/professores-atividades/106/artigo250623-1.asp

Mais uma parceria!!! Este agente aprova


O Serafim Ballet surgiu para suprir as necessidades de alguns amigos que dançavam e que não tinham por perto uma loja que atendesse suas necessidades. Deste então temos procurado crescer e alcançar outras pessoas e públicos, como escolas e professores da área da dança.
Trabalhamos com a Marca Capezio e temos o objetivo de também poder oferecer outras marcas, estamos trabalhando para isso.

Nsse blog, no entanto foi criando não só para divulgar os produtos mais também para falar e passar informações sobre dança. Nele você pode encontrar postagens que falam sobre essa arte linda, como também realizar downloads, ter acesso ao dicionário do balé e outro...
E tornando-se um seguidor do Blog você poderá participar de promoções podendo assim ganhar um dos nossos produtos.

  Produtos e Serviços, porque além de trabalhar com produtos de dança também trabalho dando aulas de balé, para Baby Class, Pre-Primary, Primary, Grau I e Adulto Iniciante.

Grande abraço a todos os leitores do Fazendo Dança na Escola, você é nosso convidado a conhecer o blog, sinta-se avontade para participar e comentar.


Elidiane Serafim

Serafim Ballet

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Desenvolvimento Infantil : Motor e Cognitivo





DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
 


Segundo Henri Wallon
3 anos
- Crise de oposição e inibição.
- Postura de recusa como uma proteção da autonomia. A criança adquire consciência de si mesma: o eu, o mim, o meu adquirem sentido

4 anos
- Idade do narcisismo.
A criança busca a admiração e admira a si própria.
Gosta de “fazer graça” e tenta que se fixe a atenção sobre ela.

5 anos
- Imitação.
A criança busca uma substituição de si mesma através da imitação. Em geral imita o adulto, a pessoa admirada. Em todo este período, a criança permanece profundamente inserida em seu meio familiar. As relações familiares adquirem importância vital.

6 a 8 anos
- Personalismo polivalente, diversificação do eu escolar, eu familiar, eu do grupo, ... Ajustando sua conduta às circunstâncias particulares, a criança passa a ter consciência de suas potencialidades e um conhecimento mais preciso e completo de si mesma

DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
Segundo Jean Piaget

3 anos
- Fase pré-conceitual.
A criança adquire a função simbólica, constrói símbolos, utiliza a linguagem, realiza jogos simulados.

4 e 5 anos
- Pensamento irreversível.
- Raciocínio pré-causal e intuitivo.
A criança centra-se nos estados em detrimento das transformações.
6 e 7 anos
- Os estados são compreendidos como resultantes de transformações, mas sem a percepção dos sistemas como um conjunto coerente de elementos. As classificações são feitas por tentativa.

8 anos
- Progressiva descentralização.
- Início do pensamento reversível.
- Coordenação interiorizada e reversível dos esquemas de ação.
- Raciocínio lógico.
A criança já é capaz de realizar operações simples, sempre muito concretas.

DESENVOLVIMENTO MOTOR
Segundo Pierre Vayer3

3 a 5 anos
“Através da ação, a pressão torna-se cada vez mais precisa, estando associada aos gestos e a uma locomoção cada vez mais coordenada. Motricidade e cinestesia permitem à criança o conhecimento e, por conseguinte, a utilização cada vez mais diferenciada e precisa do seu corpo por inteiro. A relação com o adulto é sempre um fator essencial desta evolução que permite à criança desprender-se do mundo exterior e reconhecer-se enquanto indivíduo.”

6 anos
“A criança passa do estado global e sincrético ao da diferenciação e análise. A associação das sensações motoras e cinestésicas aos outros dados sensoriais, especialmente os visuais, permitem passar progressivamente da ação do corpo à representação, vindo então:
- o desenvolvimento das possibilidades de controle postural e respiratório;
- a afirmação definitiva da lateralidade;
- o conhecimento de direita e esquerda;
- a independência dos braços em relação ao tronco...”

7 e 8 anos
“Graças à tomada de consciência dos diferentes elementos corporais e ao controle de sua mobilização com vistas à ação, desenvolve-se:
- possibilidades de relaxamento;
- independência dos braços e pernas em relação ao tronco;
- independência da direita e esquerda;
- independência funcional dos segmentos; e
- transposição dos conhecimentos de si ao conhecimento dos outros.”

DESENVOLVIMENTO MOTOR
Segundo Arnold Gesell4

3 e 4 anos
“Caminha ereto e se mostra seguro e ágil sobre seus pés. Caminha mais do que corre.
Consegue parar momentaneamente em um só pé.
Lança uma bola sem perder o equilíbrio.”

5 e 6 anos
“Muito ativo, cobre maiores extensões.
Sobe e desce correndo as escadas.
Dirige seu triciclo com velocidade máxima.
Usufrui as atividades que requerem equilíbrio.
Lança uma bola, passando a mão por cima da cabeça.
Interpreta e demonstra suas próprias respostas de forma ritmada.”

7 a 8 anos
“Apresenta maior facilidade e domínio da atividade corporal geral, redundando em maior economia de movimentos.
Caminha com o apoio inicial dos calcanhares.
Apresenta maior domínio dos músculos grandes do que o dos pequenos.
Gosta de galgar espaços em níveis mais altos.
Está quase o tempo todo em atividade, com movimentos quase frenéticos, porém às vezes se mostra completamente inativo.
Apresenta uma certa inabilidade pelo excesso de atividade, chegando a cair e rolar.
Lança objetos no ar e às vezes volta a pegá-los com êxito.
Mostra maior precaução em numerosas atividades motoras grossas5.
Repete persistentemente seus exercícios.
Galopa, corre, salta e caminha ao compasso de uma música, com prazer.
Apresenta um movimento corporal mais gracioso e rítmico.
Tem conscientização da postura própria e alheia.”
Conclui-se que a partir do estudo desses autores, as crianças entre três e quatro anos adoram fazer formas. Elas conseguem entender níveis, direções e tamanho, mas sua compreensão de espaço, trajetória e foco ainda não está completa. Exploram o fator força ao extremo, como agudo ou suave, pesado ou leve, apertado ou frouxo (conceitos a serem estudados mais adiante). O controle sobre ritmo, velocidade e acento é raro, assim como a relação movimento e som. Entretanto, adoram trabalhar com rápido e lento, e mostram aí uma habilidade rítmica definida.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Para refletir sobre nossos papeis enquanto pais educadores

Limites - Os pais mais bobos e inseguros da história

Monica Monasterio

 Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.

O grave é que estamos lidando com crianças mais "espertas", ousadas, agressivas e poderosas do que nunca.

Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro. Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos...

Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos. Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais e os primeiros que aceitamos (às vezes sem escolha...) que nossos filhos nos faltem com o respeito.

Na medida em que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam a suas ordens e os tratavam com o devido respeito. E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais.

Mas, à medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem. E são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, os patrocinem no que necessitarem para tal fim.

Quer dizer; os papéis se inverteram, e agora são os pais quem tem que agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado. Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para serem os melhores amigos e "dar tudo" a seus filhos. Dizem que os extremos se atraem.

Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e perdidos como eles.

Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão. Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.

Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás, carregando-os, e rendidos à sua vontade.

É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.

Os limites abrigam o indivíduo. Com amor ilimitado e profundo respeito.

domingo, 8 de janeiro de 2012

sábado, 7 de janeiro de 2012

Qual é o papel do professor enquanto educador?


Todo professor deveria elaborar um discurso que potencializasse as mudanças que oriente rotas, ou seja, que concretize um currículo para as crianças, tendo um projeto coletivo, uma obra aberta, criativa e apropriada para o aqui e agora de cada situação educativa, envolvendo sensibilidade e uma visão de criança como alguém competente e com direitos próprios.E isto só obteremos se rompermos com a história tradicional de promover o isolamento e o confinamento das perspectivas infantis dentro de um ambiente controlado por adultos e com descontextualização das atividades que muitas vezes são propostas às crianças.
A escola deve ter uma proposta pedagógica que implique por uma organização curricular que seja um elemento mediador fundamental entre a realidade da criança (concepções, valores, desejos, necessidades e conflitos vividos em seu meio próximo) e a realidade social mais ampla, com outros conceitos, valores e visões de mundo, mas para isto é necessário conhecer a individualidade do aluno.
Por isto a interação social é uma das estratégias mais importantes do professor para a promoção de aprendizagem pelas crianças. Assim cabe a ele propiciar situações de conversa, brincadeira ou de aprendizagem orientadas que garantam a troca entre as crianças, de forma que possam comunicar-se e expressar-se, demonstrando seus modos de agir, pensar e de sentir, em um ambiente acolhedor e que propicie a confiança e auto-estima.

Vygotsky,afirma que as características individuais (modo de agir, pensar, sentir, valores, conhecimentos, visão de mundo, etc) dependem da interação do ser humano com o meio físico e social que ele esta inserido.
Para elas a criança quando se sente dentro de um grupo, começa a participar mais, interagir mais, e conseqüentemente vem mais feliz para a escola.
Outro aspecto muito comum dentro das escolas e que nós professores nos deparamos é o de crianças que não interagem com outras crianças, e quando isto é levado ao conhecimento dos pais, estes tendem a desconversar e achar muito cedo para um acompanhamento de um profissional especializado em comportamento.


E por que será que isto acontece? Será que quando criança nós educadores e também os pais de nossos alunos tiveram um professor que se preocupou em interagir com ele, que realmente percebeu este aluno como um ser que pensa, sente, mas que muitas vezes não sabe exprimir isto?
O que acontece é que muitos pais e escolas estão mais preocupados em preparar seus filhos e alunos para um futuro aprendizado, esquecendo de observar o que está acontecendo no presente. Esta concepção de preparar para o futuro é um tanto contraditória, uma vez que os processos de desenvolvimento só são impulsionados quando aprendidos. Um bom ensino é aquele que se adiante ao desenvolvimento, ou seja, que se dirige às funções psicológicas que estão em vias de se completarem.
Por isto um redimensionamento do valor das interações sociais (entre alunos e os professores) no contexto escolar seria uma sugestão, uma vez que elas podem produzir conhecimentos por parte dos alunos, onde este poderá dialogar, trocar informações, confrontar ponto de vista divergentes, trabalhar com a cooperação, tornando o aluno mais responsável resultando no alcance de um objetivo comum. Cabe, portanto, ao professor não só permitir que isto aconteça, mas também promover isto no cotidiano das salas de aula.
Portanto o papel do professor é proporcionar uma prática educativa que considere a importância da intervenção do professor que é uma pessoa mais experiente da cultura, e também das trocas efetivadas entre as crianças que tanto contribuem para os desenvolvimentos individuais. É necessário que haja esta troca, esta interação, nós não podemos mais achar que somos os tais, e que as crianças não nos ensinam nada.


Esta idéia de que a criança deve vir para escola, permanecer sentada em sua cadeira, em silêncio e de preferência olhando para frente tem que ser derrubada de uma vez por toda.
O movimento dentro da escola não pode mais ser entendido como uma moeda de trocas, onde a imobilidade funciona como uma punição e a liberdade de se movimentar como prêmio.Este preconceito ao movimento que permeia a escola tem que ser discutido sim, pois não é possível que em pleno século XXI o movimento ainda esteja restrito somente as aulas de Educação Física ou recreio, e nas demais atividades em sala de aula o aluno tem que se manter “imóvel”. Afinal se é através do movimento que o individuo se manifesta, que pessoas formaremos se impedirmos a sua expressão?
Esta ausência de ludicidade nas disciplinas científicas e a ausência de seriedade nas disciplinas que envolvem o mexer o corpo, só contribuem para acentuar ainda mais esta visão de que o ensino de Educação Física e de Arte são supérfluo.
A atuação do professor no processo ensino-aprendizagem deve considerar o aluno como um corpo que não foi programado para imitar, que ele só estará satisfeito e realizado em sua corporeidade, a partir do momento em que ele estiver participando ativamente das atividades e podendo explorar sua criatividade, espontaneidade e rompendo com as limitações de seu corpo, descobrindo, por si só, as coisas maravilhosas que pode realizar com seus gestos.E sendo assim a intenção da formação do cidadão autônomo, critico, que saiba intervir, modificar e usufruir a sociedade em que vive deve ser o paradigma da educação de forma geral.
A inserção corporal tem muito com o que contribuir para com isto e, em especial a Dança, por isto é preciso que nós educadores consideremos o corpo de nossos alunos como um corpo que está em erupção, exalando sentimentos, expressões e integrante do meio social ao qual faz parte.
Mas infelizmente nem todos so cursos de formação de professores oferecem tais conhecimentos sobre o corpo, por isto seria muito importante que se pensassem com seriedade no oferecimento de disciplinas de cunho artístico corporal, independente da disciplina que lecionam. Porque assim eles sentiriam e entenderiam melhor seus corpos, aprenderiam a pensar com o corpo todo, este corpo que fala, que sente, se emociona, que se expressa de todas as formas possíveis.Estas práticas corporais só vem a contribuir para que professores ao sentirem em seus corpos estas descobertas, possam compreender melhor o que se passa nos corpos dos seus alunos, porque estarão experimentando o prazer do movimento e os benefícios físico e mental que este pode trazer a elas e conseqüentemente aos seus alunos, o que fará com que vejam a Dança na escola com outros olhos.
E é por isto que a Dança na escola deve ultrapassar a idéia de ser apenas voltada à criança e ao adolescente, ela deverá ser trabalhada com os professores, pois será importante não apenas para a formação destes (e para o bem estar dos mesmos), mas também para que o corpo do professor funcione como modelo para o aluno. Afinal somos o tempo todo modelos para as nossas crianças.
No caso da Dança na escola, onde se trabalha mais a exploração e a criação do próprio aluno que o aprendizado de passos específicos, a imitação não deveria estar presente. No entanto, essa idéia é equivocada. Pois acabamos por cair em outro desfecho que é a questão de dar exemplos de movimentos ou de servir de modelos, pois muitas vezes o que se vê nas criações das crianças são gestos oriundos reproduzidos do que vêem na TV. Se o professor não quer assumir o papel de modelo, a mídia o faz o tempo todo. Cabe agora refletir qual é o modelo mais interessante, e, sobretudo, trabalhar com as crianças o desenvolvimento do olhar crítico.
É preciso portanto tomar o cuidado para que não se aplique atividades descontextualizadas que visam à mera repetição sem sentido de um modelo observado e propor atividades que realmente intervêm e desencadeiam o processo de aprendizam. Não se pode oferecer rituais de cópia ou propostas de imitações mecânicas e literais de modelos fornecidos por nós adultos. Mas sim oferecer subsídios aos alunos para que possa favorecer o processo de criação deles, tornando a atividade mais significativa e desafiadora, sem estereotipar a expressão do educando.
Fica claro, portanto, que a questão da educação corporal não é de responsabilidade exclusiva da Educação Física, nem da Dança ou da Expressão Corporal.O corpo está em constante desenvolvimento e aprendizado, possibilitar ou impedir o movimento da criança e do adolescente na escola, oferecer ou não a oportunidade de exploração e criação com o corpo, despertar ou reprimir o interesse pela dança no espaço escolar, servir ou não de modelo, de uma forma ou de outra, estaremos educando o corpo. Nós somos o nosso corpo e toda educação é do corpo. A ausência de uma atividade corporal também é uma forma de educação: a educação para o não movimento – educação para a repressão. Em ambas situações, a educação do corpo esta acontecendo. O que diferencia uma atitude da outra é o tipo de indivíduo que estamos formando. Cabe agora a cada um de nos fazer uma reflexão.

By Nani Chefaly

Reflexões de um professor aposentado




Eu ensinei todos eles... Tendo ensinado no ginásio por muitos anos, durante esse tempo, eu lecionei, entre outros, a um assassino, a um evangelista, a um ladrão, a um psicótico e a um pugilista.
O assassino era um meninozinho que sentava no lugar da frente e me olhava com seus olhos muito azuis. O evangelista era o mais popular da escola, era líder dos jogos, entre os mais velhos. O pugilista ficava parado perto da janela e, de vez em quando, soltava uma gargalhada que até fazia tremer os gerânios. O ladrão era um coração alegre, diria libertino, sempre uma canção jocosa em sua boca... O psicótico, um pequenino animal de olhar macio, dócil, sempre procurando as sombras.
Hoje, o assassino espera a morte numa penitenciaria do Estado. O evangelista está enterrado, há um ano no cemitério da vila. O pugilista perdeu a vida numa briga em Hong-Kong. O ladrão, na ponta dos pés, pode ver da prisão, as janelas do meu quarto. O psicótico, de olhar macio e dócil, bate a cabeça na parede forrada de uma cela no asilo municipal.
Eu devo ter sido uma grande ajuda para estes alunos...
Eu lhes ensinei porque se evapora a água, o nome das plantas, a classificação dos animais e uma porção de coisas que eu próprio nunca vi, nem valorizei em que tão pouco acreditava.
John White, Stilwate
High School, Stilwalter, Oklahoma
Extraído do jornal do SIESP